O projeto de requalificação do Largo da Lapinha nasce da valorização de um dos espaços mais simbólicos da história e da cultura popular de Salvador. Localizado no bairro da Liberdade, território marcado pela resistência, pela diversidade cultural e pela forte presença da população negra, o largo carrega memórias fundamentais da Independência da Bahia e das manifestações religiosas e populares que moldam a identidade da cidade.
Historicamente ligado à Igreja da Lapinha, fundada em 1771, o espaço tornou-se palco de importantes celebrações, como os festejos do Dia de Reis e as comemorações do 2 de Julho, reunindo cortejos, sambas de roda, manifestações artísticas e milhares de pessoas todos os anos. Apesar da sua relevância histórica e cultural, a configuração atual da praça apresenta limitações para o uso coletivo e para a ocupação durante os grandes eventos populares.
A proposta busca transformar o Largo da Lapinha em uma grande esplanada pública acessível, democrática e preparada para receber diferentes formas de convivência e expressão cultural. A remoção dos desníveis e a implantação de rampas garantem maior fluidez e acessibilidade, permitindo que o espaço seja apropriado de maneira mais ampla pela população.
O projeto também prioriza durabilidade, conforto e valorização paisagística. Novos canteiros arborizados, mobiliário urbano em estrutura maciça com acabamento em granito e uma nova iluminação pública reforçam a permanência e o uso cotidiano da praça. A pavimentação combina concreto lavado e diferentes acabamentos em granito, criando diversidade visual e resistência ao intenso fluxo urbano.
Como elemento de memória e educação patrimonial, foram incorporados 16 totens informativos que relembram os 16 meses de luta pela Independência da Bahia, conectando o espaço urbano à narrativa histórica que atravessa o bairro e a cidade.
Mais do que uma intervenção física, o projeto do Largo da Lapinha propõe a reconexão entre memória, cultura e espaço público, fortalecendo a identidade local e reafirmando o papel da praça como lugar de encontro, celebração e pertencimento coletivo.